Doença crônica pode garantir novos direitos contra demissão; veja projeto de lei
Saiba como um projeto pode proibir demissão por doença crônica e proteger trabalhadores.
O que diz a lei atual sobre demissão por doença crônica
Atualmente, ter uma doença crônica não garante instantaneamente a estabilidade no emprego. A legislação brasileira permite que empresas realizem demissões sem justa causa, desde que sigam as normas trabalhistas e que a demissão não tenha caráter discriminatório. Quando um trabalhador possui uma condição médica que não está relacionada ao trabalho, as empresas têm liberdade para demitir, desde que siga os padrões legais e não haja discriminação.
A Lei 9.029/1995 proíbe demissões motivadas por discriminação, incluindo a manutenção de um emprego. Se um funcionário for demitido de maneira discriminatória, ele pode pleitear a reintegração ao trabalho ou reivindicar indenização.
Além disso, a Súmula 443 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) afirma que a demissão de pessoas com HIV ou doenças que acarretem estigmas pode ser considerada discriminatória. Situações envolvendo acidentes de trabalho e doenças ocupacionais possuem uma proteção específica, garantindo ao trabalhador 12 meses de estabilidade após o término do benefício por incapacidade decorrente de um acidente laboral.
Entenda o que é demissão discriminatória
Demissão discriminatória é aquela que ocorre devido a fatores que não têm relação com o desempenho do trabalhador, sendo motivada por preconceito ou discriminação em função de condições de saúde, raça, gênero, entre outros. Sob a legislação vigente, carregam um caráter antiético e, muitas vezes, ilegal.
Se um trabalhador é demitido porque a sua condição de saúde é conhecida pelo empregador, essa demissão pode ser questionada por ser vista como uma forma de discriminação. Por exemplo, se um funcionário é afastado por motivo de saúde e posteriormente enfrenta demissão, deve-se analisar se a condição foi considerada como justificativa para essa ação.
Doenças abrangidas pelo novo projeto de lei
O Projeto de Lei 3.100/2026, atualmente em trâmite na Câmara dos Deputados, visa proteger trabalhadores com doenças crônicas e autoimunes, incluindo condições como:
- Lúpus
- Fibromialgia
- Artrite reumatoide
- Diabetes tipo 1 e 2
- Doenças cardiovasculares
- Asma e outras condições que exigem tratamento prolongado
Com a proposta, espera-se aumentar a segurança e estabilidade no emprego para trabalhadores que enfrentam esses desafios. A ideia é assegurar que os empregadores não discriminem essas pessoas nem realizem demissões por conta de suas condições de saúde.
Mudanças que podem ser feitas na rotina de trabalho
O projeto também estipula que os trabalhadores poderão solicitar mudanças temporárias em sua rotina laboral durante os períodos de tratamento ou exacerbamento da doença. As adaptações que podem ser requeridas incluem:
- Alteração na carga horária ou horário de entrada e saída
- Opção de trabalho remoto
- Uso de um banco de horas para administrar as faltas
- Ajustes nas metas estabelecidas pela empresa
- Outras adaptações necessárias para facilitar a continuidade na função desempenhada
Qualquer solicitado deverá ser respaldado por documentação médica. Se a empresa rejeitar as alterações requisitadas, deverá justificar por escrito sua decisão e a necessidade de não acatar o pedido.
Direitos dos trabalhadores com doenças crônicas
Os trabalhadores que enfrentam doenças crônicas, mesmo sem a proteção estipulada pelo novo projeto de lei, já possuem alguns direitos básicos, como:
- Auxílio por incapacidade temporária: Introduzido pelo INSS, esse benefício está disponível para quem se encontra temporariamente incapaz de desempenhar suas funções devido a problemas de saúde.
- Estabilidade após acidentes ou doenças ocupacionais: Se um trabalhador sofrer acidente de trabalho ou contrair uma doença relacionada à sua atividade, ele pode contar com proteção de 12 meses ao retornar ao emprego.
- Saque do FGTS em casos de doenças graves: O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pode ser acessado em certos casos, como em diagnósticos de câncer, HIV, entre outros.
Estas garantias ajudam a mitigar a preocupação de perda de emprego enquanto lidam com tratamentos médicos e garantias financeiras básicas.
Quais são as etapas de análise do projeto no Congresso
O Projeto de Lei 3.100/2026 ainda aguarda a designação de um relator na Comissão de Saúde antes de avançar para análise e votação. O trâmite legislativo requer que o projeto passe pelas seguintes etapas:
- Designação de relator: Um deputado é escolhido para se encarregar do projeto.
- Análise pela Comissão: Esta fase abrange debates, reuniões e pareceres sobre o conteúdo do projeto.
- Votação nas Comissões: As propostas são submetidas à votação nas comissões relevantes.
- Votação no Plenário: Se aprovado nas comissões, o projeto segue para o plenário para votação geral.
- Sanção presidencial: Após aprovação, o projeto é enviado ao presidente da república, que pode sancionar ou vetar.
Este processo pode levar tempo, e o projeto deverá ser acompanhado de perto até que se concretize como lei.
Possíveis adaptações no ambiente profissional
As adaptações propostas visam oferecer condições mais favoráveis para que os trabalhadores com doenças crônicas possam continuar suas atividades sem interrupções. As adaptações devem ser adequadas ao tipo de trabalho e a condição de saúde do colaborador:
- Flexibilidade de horário: Ajustar turnos de trabalho para acomodar consultas médicas ou tratamentos.
- Ambiente físico adaptado: Alterações no espaço de trabalho para facilitar o acesso e minimizar esforços.
Essas alterações devem ser vistas como um investimento na produtividade e na saúde mental e física dos funcionários.
O que fazer em caso de demissão durante o tratamento
Em caso de demissão, trabalhadores que estão em tratamento por doenças crônicas devem seguir alguns passos para garantir que seus direitos sejam respeitados:
- Documentar todos os atestados e laudos médicos disponíveis, como também comunicações da empresa.
- Consultar o sindicato ou advogado especializado para discutir a demissão e entender se há base para uma ação judicial, caso considere que a demissão foi discriminatória.
- Notificar o Ministério Público do Trabalho se houver indícios de práticas corporativas desleais ou ilegais.
Esses passos são cruciais para assegurar que os direitos dos trabalhadores sejam reconhecidos e defendidos.
Impactos do projeto na relação empregador-empregado
A aprovação deste projeto de lei pode trazer grandes mudanças na dinâmica entre empregadores e empregados. Os impactos esperados são:
- Aumento da segurança no trabalho: Com garantias legais, trabalhadores podem se sentir mais seguros em suas funções, ampliando a responsabilidade social das empresas.
- Mudanças nas políticas internas das empresas: As organizações poderão necessitar de políticas estruturadas para lidar com adaptações e questões relacionadas à saúde dos funcionários.
- Valorização dos trabalhadores: Com as normas expandidas, espera-se que haja maior respeito e atenção às necessidades de saúde, resultando em um ambiente de trabalho mais inclusivo.
Previsões sobre a aprovação da nova legislação
Ainda é incerto quando ou se o Projeto de Lei 3.100/2026 será aprovado. A situação política e as prioridades do Congresso influenciam diretamente a velocidade das apreciações de legislação como essa. Contudo, a crescente conscientização sobre a importância das doenças crônicas e a proteção de seus portadores poderá impulsionar um movimento favorável, especialmente à medida que mais trabalhadores se unam em defesa de seus direitos.


