Após pedido de Bruno, Cesan admite fazer estudo para ligar imóveis de pessoas carentes à rede coletora de esgoto

Representante da companhia garantiu, em reunião da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, que um estudo será feito para avaliar a sugestão do deputado Bruno Lamas para que Tarifa de Disponibilidade, que é paga junto à conta pelo contribuinte, possa financiar a ligação gratuita da residência de quem não tem como arcar com a despesa

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O gerente da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), Douglas Oliveira, admitiu ontem (11), durante reunião da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, a possibilidade de acatar uma sugestão do vice-presidente da comissão, o deputado estadual Bruno Lamas (PSB), para que as ligações de imóveis de pessoas em risco social sejam feitas às redes coletoras de esgoto, sem custos para essas famílias.

A declaração foi dada durante a reunião realizada, a pedido de Bruno, para apresentação do projeto de despoluição do Córrego Irema, na Serra, após o próprio deputado indagar por que a Cesan não faz uso da Tarifa de Disponibilidade, que é paga junto à conta pelo contribuinte, para financiar a ligação dessas residências à rede coletora?

De acordo com o gerente da Cesan, há, na Serra, 25 mil imóveis que já contam com a rede coletora passando em frente aos imóveis, e que não estão interligados. Ou seja, os proprietários jogam o esgoto in natura nas redes de drenagem, que são destinadas às lagoas, rios e mares, causando a poluição.

Entretanto, Bruno lembrou que há proprietários que não fazem a ligação porque não dispõem de recursos para isso. Daí a importância do poder público, segundo ele, assumir esse papel, para evitar danos ao meio ambiente.

“Estamos falando das pessoas que não têm condições de fazer a ligação. Com a gasolina chegando a R$ 10 o litro, e o gás, a R$ 130, nós imaginarmos que uma pessoa que está lutando para sobreviver vai comprar um pedaço de cano e cimento? Pagar pela mão de obra? Isso é impossível. Ela não vai fazer”, declarou Bruno.

E insistiu: “Repito: ela (a pessoa) está lutando para sobreviver, para comer e manter a sua família. Por isso, cabe ao poder público fazer essa execução, para que possamos cumprir o papel ambiental.”

O parlamentar frisou na reunião, que foi presidida pelo colega Rafael Favatto (Patriota), que a sua solicitação é que a Cesan use parte da tarifa que ela arrecada, para autorizar que a empresa executora do Plano Municipal de Saneamento, no caso a Ambiental Serra, possa fazer a ligação. A concessionária também atua em Vila Velha e Cariacica.

“Atualmente, cerca de 190 mil imóveis estão ligados na Serra. Poderíamos duplicar isso em curto espaço de tempo. Por consequência, teríamos muito menos esgoto chegando aos mananciais e às praias”, avaliou Bruno.

O representante da Cesan frisou que a declaração do deputado é muito importante e demonstra a sua preocupação real com o meio ambiente porque, se as pessoas não fizerem a ligação, os rios, córregos e mares não vão estar limpos.

Ele também lembrou que a Cesan já incluiu a ligação no Plano de Obras futuras da companhia e que, inclusive, os empreendimentos do Banco Mundial em Cariacica e Vila Velha já terão mais de 20 mil imóveis com a ligação intradomiciliar.

“As residências já estarão conectadas ao final da obra. Isso é um avanço muito grande, uma vez que requer atenção a uma questão social porque é necessário adentrar a casa das pessoas”, declarou Douglas.

Em relação ao passivo lembrado pelo deputado, o representante da Cesan garantiu que a proposta de Bruno será levada à diretoria da empresa e um estudo será realizado para avaliar o uso da Tarifa de Disponibilidade para financiar a ligação de imóveis cujos proprietários estão em risco social.

O gerente da Cesan, Douglas Oliveira, admitiu a possibilidade da empresa financiar a ligação de imóveis cujos proprietários estão em risco social. Crédito. Assessoria parlamentar

“Vamos envolver a ARSP (Agência Reguladora de Serviços Públicos) porque ela também está inserida nas questões tarifárias e aproveito para lembrar que temos duas tarifas sociais que dão 60% e 75% de desconto para famílias de baixa renda. Estamos à disposição para fazermos uma reunião para tratar do assunto”, afirmou Douglas.

Para concluir, Bruno fez ainda outro encaminhamento, na presença do diretor-presidente da Ambiental Serra, Justino Brunelli Júnior, e de um representante da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh).

Justino Brunelli Júnior, presidente da Ambiental Serra, apresenta o projeto de despoluição do Córrego Irema aos deputados Bruno Lamas e Rafael Favatto. Crédito. Assessoria parlamentar.

“Solicitei que os órgãos de licenciamento possam atuar com agilidade e que a Comissão de Meio Ambiente acompanhe mensalmente os relatórios de licenciamento por parte do Iema e demais órgãos. A poluição do Córrego Irema é algo que incomoda demais. É a chegada ao bairro de Jacaraípe, uma região turística. O cidadão se depara com aquela praia linda da Curva da Baleia e aquele odor. Ainda mais agora, com uma nova avenida Abido Saadi, e os investimentos chegando”, avaliou.

Indagado, Justino lembrou que a expectativa é de que até 2025 todas as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) estejam funcionando. Das atuais 21 estações, ficarão apenas nove na Serra. A que atenderá o Córrego Irema deverá ser iniciada no ano que vem.

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