Suspeito de manter idosa em cárcere privado, ‘Maníaco da Ilha do Boi’ é preso novamente no ES

Antúlio Gomes Pinto já foi condenado a mais de 100 anos de prisão por manter a esposa, os três filhos e outras cinco mulheres em cárcere privado por 10 anos em Vitória. A Justiça, no entanto, o soltou.

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Maníaco da ilha do boi é preso novamente em Colatina — Foto: Heriklis Douglas

Antúlio Gomes Pinto, de 57 anos, foi preso novamente, nesta segunda-feira (30), em Colatina, Noroeste do Espírito Santo, acusado de manter uma idosa de 65 anos em cárcere privado.

Conhecido como “maníaco da ilha do boi”, o ex-comerciante foi condenado a mais de 100 anos de prisão por uma série de crimes. Durante uma década ele torturou – com ferro quente, socos e pancadas – e manteve em cárcere privado a esposa e três filhos. Na mesma época, fez o mesmo com outras cinco mulheres, os corpos de três delas nunca foram encontrados.

Antúlio foi preso em 2006, mas quatro anos depois conseguiu ir para prisão domiciliar por decisão do Tribunal de Justiça, com o argumento de que ficou cadeirante após um AVC.

Em 2013, ele foi preso novamente, após cometer crimes semelhantes em Minas Gerais, mas foi solto por um um indulto humanitário concedido pela Justiça mineira.

Segundo a delegada Jaciely Favoretti, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Idoso (DPCAI), Antúlio alegou que a idosa morava na casa para ajudá-lo. De acordo com as denúncias, os dois mantinham uma relação de amizade desde 2017.

Há cerca de um ano, no entanto, com a pandemia de Covid-19 e o argumento de não poder sair de casa, o comportamento do preso passou a ser mais abusivo, proibindo a mulher de sair de casa e assumindo o controle de seu celular e cartões de banco.

A vítima contou que não podia sair de casa e tinha medo de ser morta. Para a polícia, a família relatou que perdeu o contato físico e telefônico com a vítima e que, quando conseguia telefonar para ela, Antúlio a obrigava a manter a ligação em viva-voz para ter o controle do que era conversado.

“A situação ali é de uma violência psicológica. Ela demonstrou muito medo de abandonar o convívio com ele e ser morta”, explicou a delegada.

Na casa, os policiais encontraram muita sujeira, lixos, entulhos e até fezes de animais. Não havia comida nos armários e casa estava sem gás.

O ex-comerciante foi autuado por cárcere privado, maus-tratos e violência psicológica e encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Colatina.

Outra vítima em 2019

Em 2019, Antúlio foi indiciado por coação ilegal ao tentar impedir que uma outra mulher deixasse a casa.

A vítima, que conheceu o homem na internet e veio para o Espírito Santo, alegou que não estava conseguindo ir embora para casa. Na ocasião, o homem não chegou a ser preso.

Defesa

O advogado de defesa de Antúlio afirmou, por telefone, que ainda está se inteirando sobre a nova prisão. Afirmou, ainda, que a mulher morava com o preso para o auxiliar por motivações humanitárias.

Relembre o caso

De acordo com a investigação que condenou Antúlio a mais de 100 anos de prisão, o relacionamento de Antúlio com a ex-esposa começou em 1995. Ela tinha 19 anos na época e encontrou o comerciante, de 41 anos, em um shopping em Vitória. De lá, ela foi para o apartamento dele. Depois disso, ele passou a torturá-la e a manter em cárcere privado. Os dois tiveram três filhos durante o período.

A mulher fugiu do apartamento onde viviam em 2005. Ela teria 29 anos quando conseguiu escapar por uma janela e denunciar os crimes. Ela disse ainda que Antúlio cometeu crimes semelhantes com outras cinco jovens – duas conseguiram escapar e os corpos de outras três nunca foram encontrados.

Em 2006, ele foi preso e condenado pelos crimes a mais de 100 anos de prisão. Mas, em 2010, conseguiu ir para prisão domiciliar, em Colatina, por decisão do Tribunal de Justiça, com o argumento de que estava cadeirante após um AVC. De Colatina, fugiu para Minas Gerais.

Três anos depois, em fevereiro de 2013, foi preso novamente em Divinópolis (MG), por manter a esposa, o filho e outra adolescente em cárcere privado e comandar uma fábrica ilegal de bijuterias em que outras duas adolescentes trabalhavam ilegalmente.

Em fevereiro de 2015, no entanto, a Justiça mineira concedeu a ele um indulto humanitário e perdoou a pena por considerar o estado de saúde dele grave.

Com Informações: G1 ES

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