Trinta e duas horas de formação artística nas culturas do samba e do congo

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Déborah Sathler  Culture Manager
O programa de Residência Artística Casa de Bantus baseado na pesquisa de cultura e economia social que resultou no livro “30 anos da gravação de Madalena do Jucu: perspectivas históricas e novos alcances”, de autoria da curadora do programa, a pesquisadora de identidade, gênero e etnia capixaba Déborah Sathler, levou em dez dias de oficina, trinta e duas horas de formação artística online em culturas negras do samba e do congo para artistas residentes em Música Popular com as oficinas propostas, workshops, palestras, rodas de oralidades e produção. Participaram artistas capixabas e cariocas, estudantes e professores da FAMES e jovens estudantes da rede pública estadual do Coral Serenata D´Favela. O projeto faz parte do Edital Artes Integradas da Lei Aldir Blanc que conta com apoio da Secretaria Estadual da Cultura do Espírito Santo e do governo federal por meio da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.

Além da inclusão de agentes culturais relevantes para a cultura do congo capixaba, o projeto ofereceu 14 bolsas de R$1.000,00 para artistas residentes que estão em situação de vulnerabilidade social com os trabalhos interrompidos no período da pandemia da Covid 19 e alunos ouvintes.  “Sabemos muito de tecnologia e muito pouco de simbiosofia, de conviver com outras culturas. Nas narrativas coletadas na pesquisa que resultou o livro, ficou evidente que o samba e o congo são irmãos musicais angolanos, por isso o nome Casa de Bantus, segundo pesquisa do Museu da Língua Portuguesa dos 4 milhões de indivíduos trazidos da África subsaariana para o trabalho escravo no Brasil, 75% eram provenientes do mundo bantu, situados atualmente em Angola e nos dois Congos.  No livro, os artistas reivindicam um projeto que protagonize essas vivências artísticas, onde eles pudessem ser orientadores, pudessem circular os saberes populares, conhecimentos, dando visibilidade aos segmentos culturais do samba e do congo.  O intuito foi, por meio das culturas populares do samba e do congo, educar como preconizou Paulo Freire, o maior educador brasileiro. Quem produz música, almeja outras possibilidades de criação, com alargamento de suas práticas artísticas, ao investigar, pesquisar e experimentar em outro contexto cultural”, falou a curadora do programa Déborah Sathler, que possui mestrado em Humanidades, Culturas e Artes. As atividades seguiram os protocolos previstos na pandemia.

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