Serra tem 15 mil imóveis sem ligação de esgoto com a rede coletora da Cesan

O deputado Bruno Lamas, que presidiu a reunião da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia, propôs que a concessionária use parte do recurso da Tarifa de Disponibilidade de Esgoto, cobrada na conta de água, para ligar as casas à rede coletora

19

O diretor-presidente da Serra Ambiental, Justino Brunelli, afirmou hoje (7), durante reunião virtual da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, que há 15.247 imóveis na Serra que possuem rede de esgoto na rua, mas que ainda não estão ligados à rede coletora da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan).

Com isso, 185 mil litros de esgoto por mês são despejados irregularmente, sem tratamento, em rios e córregos do município, prejudicando o meio ambiente. E os bairros que têm mais imóveis sem a ligação são: Praia de Carapebus (1.120), Residencial Jacaraípe (842) e Parque das Gaivotas (812).

O deputado estadual Bruno Lamas (PSB), que presidiu a sessão, frisou que, no período de pandemia, muitos proprietários não dispõem dos cerca de R$ 600 necessários para fazer a ligação. Ele fez um apelo aos representantes da Cesan, que também participaram da reunião.

“Queremos que a Cesan faça uso de parte da Tarifa de Disponibilidade de Esgoto, cobrada dos cidadãos na conta da concessionária, para garantir as ligações necessárias. Quinze mil imóveis lançando o esgoto nos mananciais por conta de meio metro de cano, um metro e meio… Eu entendo o desafio, mas é um apelo que faço”, declarou o deputado, que é autor de um projeto de lei sobre o assunto. A empresa sinalizou que fará um estudo para avaliar a viabilidade da proposta.

Justino, por sua vez, lembrou que a Serra Ambiental conta com a ajuda da prefeitura, da Secretaria de Meio Ambiente. “A gente tem um convênio para conseguir auxiliar a prefeitura a desempenhar esse papel que é responsabilidade dela, que tem o poder de polícia para poder notificar esses usuários para que eles se liguem na rede coletora”, ressaltou.

A gestão do esgotamento sanitário do município é feita por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre a Cesan e a empresa Ambiental Serra.

Logo na abertura dos trabalhos, o vereador da Serra Anderson Muniz (Podemos) questionou os entupimentos e transbordamentos de esgoto na cidade. “Tenho acompanhado a situação dos transbordamentos de esgoto, são inúmeros os extravasamentos que nós temos encontrado. Ainda é muito devagar o atendimento do serviço, o que deveria ser resolvido em 24 horas, muitas vezes fica de quatro a cinco dias o esgoto vazando e indo parar nas unidades de conservação”, apontou.

O presidente da Serra Ambiental falou sobre a questão dos transbordamentos. “Hoje a gente realiza na Serra aproximadamente 2 mil desobstruções na rede de esgoto por mês. A grande maioria dos casos são causados, infelizmente, pelo descarte de lixo e a gordura. O óleo de cozinha, quando é descartado na tubulação, vira uma pedra dentro da rede. Então, ele deixa de ser aquela coisa oleosa e passa a ser um objeto sólido que de fato entope a tubulação”, explicou.

O gestor também falou sobre as eventuais demoras na desobstrução. “Uma outra situação que a gente acaba tendo é quando ocorre o vazamento e a gente não é informado. A gente tem os colaboradores rodando a cidade, tem o auxílio muito importante das lideranças e dos vereadores no apontamento desses casos. Mas alguns acabam escapando porque a pessoa acha que alguém já ligou e aí acaba que o vazamento de esgoto ocorre por vários dias e a gente não é informado, via o sistema da Cesan que é o 115 (telefone), para que a gente possa proceder à desobstrução”, justificou.

Ainda em relação ao prazo de atendimento, Justino explica que a empresa vem tentando tornar o serviço mais eficiente. “Hoje, a empresa, por força do contrato, tem 24 horas para realizar a desobstrução do esgoto. Logicamente que a gente não quer isso, porque 24 horas com o esgoto vazando na frente da casa da gente incomoda demais. A gente trabalha para reduzir esse prazo. O prazo médio nosso é cerca de 13 horas, mas como toda média, tem caso que extrapola e tem caso que a gente consegue atender de forma mais rápida”, comentou o gestor.

O palestrante falou também sobre as metas contratuais da Ambiental Serra com a Cesan. “A principal meta do contrato é atingir 95% de cobertura de esgoto até 2023, ou seja, disponibilizar rede para coleta do esgoto. Hoje, a Serra já tem quase 90% de rede disponível. No Estado, a Serra só fica atrás de Vitória. Nós temos já mil quilômetros de esgoto na Serra e faltam 200 quilômetros para terminar essa universalização”, anunciou.

Além de Bruno e Justino, o encontro, que durou 1h45, contou com as participações dos deputados Fabrício Gandini (Cidadania) e Rafael Favatto (Patri), de três vereadores, de lideranças comunitárias, da ArcelorMittal, da Findes, da Aderes, da Suppin e da Cesan, dentre outras empresas e entidades.

Comentários Facebook