Associação bloqueia BR-101 em Conceição da Barra em protesto contra a Suzano

A BR-101 será interditada em frente ao trevo de Conceição da Barra, onde fica o escritório da Suzano.

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Um dos movimentos que promete ficar marcado na história capixaba de luta contra a Suzano Papel e Celulose que há décadas tem ocupado terras no município de Conceição da Barra, será realizado na manhã desta sexta-feira. A Associação dos Produtores Rurais Tribo de Israel (Aprati) pretende fechar a BR-101 em frente ao trevo de entrada para a sede o município a partir das 8 horas. O local foi escolhido pelo fato de se localizar em frente à sede da Suzano.

As 8:35h de acordo com entendimento dos guardas rodoviários federais que estavam no local os manifestantes liberaram a pista e seguiram para a Associação. Nos discursos foram feitas duras críticas ao prefeito Mateuzinho e a Câmara Municipal que não estão dando apoio ao movimento como teriam prometido durante a campanha eleitoral.

O movimento ganha força a partir de uma decisão judicial que cancela uma audiência dia 11 que a Suzano esperava uma reintegração de posse da área onde a Aprati ocupa com 250 casas e mais barracas feitas de lona e madeira, segundo revelou o seu presidente Jorge dos Santos de Souza que está no local há um ano. “Vamos fechar a rodovia para chamar a atenção da Justiça”, diz o presidente.

Segundo ele, atualmente a Aprati conta com o apoio dos Quilombolas que os mais antigos na região e esse movimento “é fundamental em nossa luta para que nos mantemos nas terras que hoje são produtivas com plantio de diversas frutas e hortaliças, conhecida como lavoura branca”, explica.

O presidente denuncia que depois que ocuparam o local a Suzano não planta nada e age com ato de covardia derrubando as casas de associados em uma demonstração de repugnar. “Os próprios guardas que fazem a segurança das terras afirmam que a Suzano é quem manda eles derrubarem as casas”, informou, lembrando que a entidade reúne 1.500 associados.

Nesta paralização que ocorre em horário de pleno movimento na BR-101 que corta o Brasil de norte a sul, o movimento vai denunciar que a Suzano deve ao município R$ 7 bilhões de impostos que não foram pagos ao longo dos anos que começou a plantar eucalipto e prejudicaram dezenas de famílias. “A Justiça tem que agir como forma de cobrar da empresa o pagamento desta inadimplência”, frisou.

E concluiu: “Pretendemos mostrar para Justiça a quantidade de famílias e produtores rurais que estão lá dentro trabalhando no plantio. “Só na Aprati existem 600 hectares de mandioca já plantados entre outras lavouras, 20 mil mudas de cacau clonal já quase prontas para o plantio; criação de tilápia, entre outras hortaliças. Se a Suzano for vencedora desta causa essas famílias e produtores rurais ficarão todos ao Deus dará”.

TEXTO: HILMAR DE JESUS

 

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