PESQUISA CAPIXABA GANHA PRÊMIO INTERNACIONAL DE ECONOMIA SOCIAL

Déborah Nicchio Sathler é jornalista e mestra em Humanidades, Culturas e Artes (UNIGRANRIO) falou sobre o prêmio internacional

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Déborah Sathler  Culture Manager

A pesquisadora capixaba de identidade, gênero e etnia, Déborah Nicchio Sathler foi a vencedora do prêmio em Portugal de Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2020, na categoria Pesquisa e Investigação na Lusofonia com o livro “30 anos da gravação de Madalena do Jucu: perspectivas históricas e novos alcances”. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira, dia 31 de dezembro, o prêmio será entregue no primeiro semestre de 2021 em Lisboa e destina-se a homenagear pessoas e coletivos da área da Economia Social em cinco categorias https://www.cases.pt/27908-2/

A pesquisa contou com apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo e baseia-se nas narrativas de integrantes das comunidades culturais do congo capixaba. O livro foi publicado, lançado e distribuído em 2019 para as escolas públicas estaduais, municipais, institutos técnicos federais, para a Universidade Federal do Estado do Espírito Santo e para o Núcleo de Estudos em História Oral (NEHO) da USP. A publicação impressa utilizou a metodologia da História Oral, tendo a escuta humanizada e a história relatada por quem a viveu. Os próprios integrantes das associações das bandas de congo do Estado do Espírito Santo apresentaram suas ideias e apontamentos para a cultura. Mil e trezentos exemplares do livro foi disponibilizado para pesquisa acadêmica, técnica, escolar e na formação de professores via parceria com a Secretaria Estadual de Educação do Espírito Santo.

Déborah Nicchio Sathler é jornalista e mestra em Humanidades, Culturas e Artes (UNIGRANRIO) falou sobre o prêmio internacional: “Escrevi o livro logo após a perda da minha filha Madalena do Espírito Santo, o povo do congo me acolheu e colaborou com a pesquisa, eles logo entenderam que o livro é sobre eles, para eles falarem, eles nunca tinham falado numa publicação sobre a sua própria cultura, era sempre alguém contando a história por eles. Como oralista fui para o campo de pesquisa com a missão de que eles fossem os protagonistas, são histórias de vidas carregadas de saberes, eles confiaram ao contarem suas dores comuns, seus desejos e sonhos. A cultura do congo é afetiva, são grupos familiares, é uma cultura que já nasce híbrida devido à escravidão, que proporcionou uma mistura entre as tradições negras (africanas) e brasileiras (indígenas).  As comunidades do congo moveram e movem a economia social de uma cultura, possuem práticas cotidianas únicas, que incluem a visão de mundo deles na música, na dança, em rituais, é um grupo único no mundo e como tal possui códigos comunitários e estratégias para sobrevivência cultural. Cada roda de conversa que participei está gravada na minha alma e nas páginas do livro, sou uma labutadora das narrativas humanas por um mundo mais justo e equilibrado”.

O recorte histórico da memória cultural incluiu depoimentos de dezessete agentes culturais, dentre eles matriarcas, mestres, jovens, dançarinas e integrantes do congo capixaba, dos artistas Martinho da Vila, Elifas Andreato, Maestro Rildo Hora, de Tunico da Vila e da filósofa capixaba Viviane Mosé. A capa é da fotógrafa Zanete Dadalto.

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