‘Janela se fechou’, diz infectologista sobre flexibilização de convivência social no ES

Enquanto as imagens de jovens se aglomerando em eventos são cada vez mais comuns, os números da Covid-19 crescem no Espírito Santo, atingindo um novo pico.

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A cada final de semana espalham-se pelas redes sociais fotos de eventos no Espírito Santo em que o público, em sua maioria jovem, passa e muito do limite estabelecido pelo governo estadual para controle da Covid-19. À aglomeração, soma-se ainda o fato de muitos não usarem máscaras.

As imagens são ainda mais contrastantes quando comparadas aos números da doença, que agora registra um novo pico, chegando a ultrapassar o número de casos de junho. Para o infectologista Crispim Cerutti Júnior, este novo momento exige medidas muito mais rígidas.

“A janela se fechou. A gente teve um momento de flexibilização em que o número de casos se reduzia e era possível manter uma dinâmica de relação social menos restrita. Agora isso já se encerrou. A gente está em um momento em que as pessoas têm que limitar e muito a sua relação externa. Nas mesas em que você bebe em conjunto, toma para si alimentos, é uma hora em que você está desprotegido, não há barreira respiratória alguma”, pontuou o médico.

Pessoas se aglomeraram em evento em casa de show na Grande Vitória — Foto: Reprodução/TV Gazeta

O mapeamento instituído pelo governo estadual desde março deste ano deixa claro as regras de convivência social a serem seguidas conforme o risco de transmissão da Covid-19.

Quando se trata de risco moderado, no qual 49 das 78 cidades do estado se encontram, incluindo toda a Grande Vitória, bares e restaurantes têm horários restritos e os eventos não podem passar de 300 pessoas.

Jovens se aglomeraram em rua durante fim de semana na Grande Vitória — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Dados do Governo do Espírito Santo mostram também que são os jovens os que mais se contaminam e também os que mais transmitem a Covid-19 no território capixaba. No acumulado desde o início da pandemia, 87.997 pessoas na faixa etária dos 20 aos 39 anos já foram infectadas no estado, o que equivale a 43,5% do total de doentes até agora.

Cerutti reiterou o potencial que os jovens têm de atuar como vetores para o vírus.

“O jovem, ao se infectar, se torna um veículo. Ele leva aquele vírus para dentro de sua casa e a partir dele, o vírus chega ao seu familiar mais idoso, mais vulnerável. É preciso que o jovem pense que ao assumir essa postura de transgressão, ele está colocando em risco a pessoa da sua casa. Ele pode ser o responsável pela internação e pela morte de um ente querido”, alertou o infectologista.

Fiscalização

 

Ao passo em que as imagens de aglomerações se repetem, questionamentos também são levantados em relação à eficácia da fiscalização do cumprimento dos decretos.

Na avaliação da professora Elda Bussinger, coordenadora do doutorado da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), o descumprimento das normas sanitárias e de isolamento é uma realidade nacional que tem origens, inclusive, na posição adotada pelo Governo Federal diante da pandemia, já que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) descumpriu tais critérios algumas vezes.

“Vivemos uma situação atípica no Brasil porque temos normativas suficientes, mas não temos credibilidade para se fazer cumprir as normas, pois o estado hoje ora diz uma coisa, ora diz outra de acordo com seus interesses. Isso enfraquece uma política sanitária, que engloba também questões sociais, culturais, de tratamento”, explicou Elda.

“Os estados e municípios poderiam fazer cumprir as normas, mas também não interessa a eles porque é uma medida antipática tirar as pessoas dos bares, dos eventos”, disse.

Para Elda, cumprir as sanções estabelecidas por lei é importante para que as regras de isolamento tenham eficácia e sejam cumpridas.

“O estado tem que ser firme. Se o estabelecimento não está cumprindo as regras, tem que fechar esse estabelecimento. Uma regra que não tem sanção perde credibilidade. É preciso ter coerência e teria que haver responsabilização tanto de pessoas quanto de estabelecimentos que quebram as regras”, contou.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e aguarda um posicionamento sobre a fiscalização.

Com Informações: G1 ES

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