Preciso aquecer o motor do carro antes de sair?

Prática era comum (e necessária) em motores antigos. Os carros ganharam tecnologia, mas o hábito ainda persiste - mesmo com os atuais sistemas de partida a frio

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Dar partida em carros já foi um desafio. Até para quem, hoje, já tem lá seus 50 anos, não viveu a época em que ligar um motor poderia ser algo até perigoso.

Antes do motor de partida elétrico, a tarefa era feita por meio de uma manivela, que tinha que ser conectada ao virabrequim; e isso exigia alguma habilidade (e agilidade para não se machucar).

O uso de etanol voltou a causar problemas em regiões frias na época do carburador. Esse problema foi praticamente sanado com os tanquinhos de gasolina para partida a frio (tecnologia que estreou por aqui em 2003, com o VW Gol TotalFlex).

De uns tempos pra cá isso melhorou ainda mais, com os sistemas de pré-aquecimento das velas. Mas especialistas afirmam que usar o carro para trajetos muito curtos ainda pode ser prejudicial ao motor, reduzindo seu tempo útil de vida.

Na época do carro a álcool, com afogador e carburador, era preciso ligar o carro e dar uns minutos para que as leis da termodinâmica provarem seu valor. Ou seja, que o motor trabalhasse um pouco, ainda parado, para chegar a uma temperatura mais próxima da ideal para operar.

Hoje, aquecer o motor com o carro ainda parado é absolutamente desnecessário. Basta entrar no carro e dar a partida. Os minutos que você levará para se posicionar, afivelar o cinto, checar os espelhos e o painel é suficiente para que tudo esteja a contento.

A injeção eletrônica eliminou a necessidade de esquentar o combustível. Além disso, a maioria dos veículos novos têm sistema de partida a frio e esquentam as partes móveis e atingem a temperatura ideal de funcionamento enquanto rodam, cerca de 5 a 10 minutos depois de começar a andar.

Injeção eletrônica convencional injeta o combustível no coletor de admissão — Foto: Divulgação

Renato Romio, chefe da Divisão de Motores e Veículos do Centro de Pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia, dá algumas dicas de como andar esses 10 minutos sem agredir demais as peças frias do veículo.

O jeito ideal de aquecer o motor é dar carga aos poucos. Não é bom aquecer o carro em marcha lenta ou sem carga”, afirma ele. “Carga” significa o quanto o pedal do acelerador é pressionado, isto é, o ideal é ir acelerando aos poucos quando pegar o carro.

Além disso, tanto faz o tipo de combustível que o veículo leva. Seja etanol, gasolina ou até mesmo diesel, o sistema que injeta combustível no motor não sofre tanta interferência da temperatura externa. E o elétrico ou híbrido? “Também não precisa aquecer antes”, afirma Renato.

Mesmo que você ainda goste de ligar o carro e esperar uns minutinhos enquanto arruma o rádio ou escolhe uma música para a sua viagem, isso não interfere na durabilidade do motor.

Se seu trajeto é muito curto, vale mais a pena buscar alternativas de transporte do que ficar preocupado, porque ele não irá atingir a temperatura ideal. Porém, aí o problema é outro – não necessariamente a questão da partida.

Usar o carro em trechos curtos, com o motor frio, ou em trânsito pesado, configura o que se chama de “uso severo”. Nesta condição, é preciso antecipar as trocas de óleo, bem como os elementos filtrantes, cabos e velas.

Vale lembrar que o consumo de combustível também será mais elevado do que quando o motor trabalha nas temperaturas ideais de funcionamento.

Com Informações: Auto Esporte

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