REMINISCÊNCIAS

Neste artigo o professor Salvador Bonomo usa de sua experiência e conhecimento político para comentar a trajetória da família Max, de pai para filho.

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Salvador Bonomo - Ex-Deputado Estadual e Promotor de Justiça inativo

Até o meado da década de quarenta do século passado, o Norte do nosso minúsculo Estado do Espírito Santo era uma autêntica floresta de mata virgem, época em que e onde se iniciou a intensificar-se o desmatamento voltado, sobretudo, para a lavoura, para a pecuária e para a exploração das intituladas “madeiras de lei”, como o cedro, a peroba, o jacarandá etc.

A exploração de tais madeiras ensejou o surgimento de acirrada concorrência entre indivíduos que se especializaram em qualificar, localizar e mensurar as árvores que encontravam. A aludida concorrência consistia, acirradamente, em ver quem encontraria a árvore maior, o que ensejou a criação de significativa expressão popular -“Há pau que passa pau” – o que significava que, por maior que fosse a árvore encontra pelo especialista, terceiro poderia encontrar outra maior!

Coincidentemente, à época, existiam, na mesma Região, alguns indivíduos considerados muito valentes, razão pela qual, segundo comentários, eram, corriqueiramente, contratados, como “pistoleiros”, para a executarem determinadas “tarefas” ou “serviços”.

Lembro-me bem de que, sempre que se discutia sobre qual “pistoleiro” era o mais bravo, o mais valente, enfim, o mais competente da referida Região, meu saudoso pai, Antônio Bonomo, de formação claramente pacifista, sistematicamente advertia todos aqueles com quem debatia tal assunto que inútil seria que qualquer “pistoleiro” intitular-se bravo, expedito, pois – repetia ele – “há pau que passa pau” –  cujo significado consistia em que não adiantava rotular-se de ser o mais valente, porque, no dia seguinte, poderia encontrar alguém que o superasse!

O meu prezado amigo e companheiro de muitas e longas lutas, Max de Freitas Mauro, foi Prefeito de Vila Velha (1970-1972: mandato tampão), Deputado estadual (1974-1982: dois mandatos), Deputado federal (1978-1986 : dois mandatos) e Governador do Estado do Espírito Santo (1987-1991).

Em 1988, seu rebento, Max Filho, aos 20 anos de idade, concorreu, pela primeira vez e exitosamente, à Câmara de Vila Velha. Eu, à época, como Deputado estadual, filiado no mesmo Partido (PMDB) e líder do Governo Max, fui convidado a participar de um comício da campanha de Max Filho, que se realizaria, salvo equívoco, no Bairro Ilha das Flores. Ao ouvir com especial atenção o surpreendente discurso do jovem candidato, relatei ao genitor presente os fatos acima focados e, prevendo a brilhante trajetória política do filho, alertei-o, dizendo-lhe: Max, “há pau que passa pau”!

Felizmente, como na concorrência dos especialistas na localização da maior árvore e na disputa do mais valente “pistoleiro”, também na concorrência política em Vila Velha, para orgulho dos pais, dos parentes e dos amigos, minha modesta previsão está a concretizar-se, pois, Max Filho, de início se elegeu Vereador aos 20 anos de idade(1988), elegeu-se Deputado estadual 2 vezes (1994-2000), Prefeito (2000), reeleito Prefeito (2004), Deputado federal (2014), Prefeito de novo (2016) e, atualmente, candidato à reeleição.

Concluo, caro Max Filho, almejando-lhe que, estribado, sobretudo, na lisura e na competência, como tem procedido até aqui, prossiga a passos largos e firmes rumo ao Anchieta, ao Senado e – por que não! – à Presidência da República!

 

 

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