Ano novo, velhas dívidas – que ainda sofrem com os reajustes

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Para quem ganha até dois salários mínimos, poucos centavos gastos a mais diariamente já impacta no orçamento familiar. Além dos impostos que são corriqueiramente pagos no início do ano, 2020 já começou com aumento da tarifa do Transcol na ordem de 4% (de R$ 3,70 para R$ 3,90) e do pedágio da Terceira Ponte, de 5% (R$ 2 para R$ 2,10 nos carros de passeio), aumento no preço do combustível, alta na carne e na tarifa de energia.

O salário mínimo também aumentou, mas em apenas R$ 0,41 (R$ 1.039,00) ou 4,1% – corrigido pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Isso significa dizer que, diante do turbilhão de aumentos, o poder aquisitivo das famílias, sobretudo as de menor renda, diminuiu.

“A inflação vem para todos e impacta no custo de vida. Se não houve um aumento compatível no salário das pessoas, quem tem menos vai sair mais prejudicado. Em relação ao trabalhador, a legislação protege [do aumento da passagem de ônibus] em relação à locomoção para o trabalho, mas não outras locomoções. Ainda tem o aumento do combustível pela alta do barril do petróleo, que é uma questão internacional. Então o trabalhador que ganha menos, vai ter menos”, explica a professora de economia Arilda Teixeira.

Soma-se a todos esses aumentos as obrigações financeiras de início de ano, como rematrícula escolar, o gasto com materiais escolares, além dos impostos que começam a ser pagos normalmente a partir do terceiro mês, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e a declaração do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física).
Quem se programou, o que deveria ter acontecido desde o final do ano passado, consegue arcar com as responsabilidades. Mas quem não fez reserva gastou até o que não podia nos cartões de crédito, pode começar o ano no vermelho com dívidas que acumulam juros altos. É a famosa ressaca financeira do fim de ano.

Orçamento
Segundo o economista Laudeir Frauches nunca é tarde para começar, visando obter saúde financeira. O passo fundamental é começar fazendo um orçamento doméstico para saber qual está sendo o destino do dinheiro.

“Se nunca fez, vai tomar um susto, porque são muitas as despesas. Tem que começar elencando as despesas que são fundamentais, como água, luz, condomínio, aluguel, escola.  Se está sem condições de pagar porque não fez reserva, vai ter que fazer uma boa administração financeira. É preciso saber onde estão os juros maiores, o que está desequilibrando o orçamento. É hora de procurar o credor para negociar e verificar as possibilidades que tem de honrar o compromisso”, explica Frauches e lembra de uma boa notícia: passou a valer a regra do limite de juros do cheque especial em 8%.

Excessos podem representar até 30%
Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, após uma boa radiografia das despesas familiares e uma análise sobre necessidades, pendências e possibilidades de novos gastos é possível identificar excessos nas finanças. “Geralmente esses excessos podem representar cerca de 30% das despesas da família. É hora de cortar gastos e evitar que as dívidas se transformem em uma bola de neve”.

Além disso, é possível verificar se existem itens que estão parados em casa, que são utilizados poucas vezes – ou nunca – e que podem ser vendidos, como aparelhos eletrônicos, móveis, roupas, sapatos e brinquedos, que podem gerar uma renda extra.

A educadora financeira Carla Soares afirma que sair das dívidas pode ser um objetivo, mas é importante não deixar de sonhar. Para ela é essencial relacionar quais são os sonhos (de curto, médio e longo prazo), saber o quanto cada um deles irá custar, em quanto tempo quer atingi-los e qual o valor necessário a ser poupado para que eles aconteçam. “A educação financeira é a maior aliada nesse caminho, não importa qual seja o tamanho do seu objetivo”.

Impostos e material escolar
O IPTU começa a ser pago nos municípios da Grande Vitória a partir do mês de março e varia de acordo com o valor venal do imóvel. Já o IPVA começa em abril, com alíquota de 2% sobre o valor da tabela Fipe do carro de passeio. Ambos têm desconto para a cota única: 8% no IPTU e 5% no IPVA. “Quem está com as finanças em dia e tem reservas, é melhor aproveitar os descontos à vista. É menos uma despesa para o ano”, afirma o economista Mário Vasconcelos.

Reinaldo Domingos afirma que os preços de materiais escolares variam muito entre lojas, inclusive as online, e por isso é importante pesquisar e até negociar valores. Ele sugere que o ideal é fazer os pagamentos à vista, com bons descontos. Mas, para quem está apertado, ele dá as dicas.

“Antes ir às compras, a família pode analisar itens do ano passado e selecionar tudo o que pode ser usado novamente este ano. No caso dos livros, vale a pena procurar pais de alunos mais velhos para emprestar ou comprar por um preço mais acessível, se estiverem em boas condições de uso. Algo interessante é reunir alguns pais e comprar itens em atacado, como caixas de lápis, cadernos e agendas. Não é preciso necessariamente comprar todos os itens na mesma loja, mas se for fazer é válido pedir descontos”, sugere ele.

Com Informações: ESHoje

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