Freitas quer garantir relação equilibrada entre Governo e Legislativo

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Freitas, no quarto mandato, é o novo líder do Governador Casagrande
A antecipação da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Espírito Santo em mais de 450 dias, gerou surpresa e agitação na política capixaba no último fim de semana. Foi uma manobra rápida, na sessão da manhã da última quarta feira, 27.

Surpreendendo a todos, a direção da Assembleia anunciou a decisão e colocou em votação imediatamente. Com isto, garantiu a reeleição do presidente Erick Musso (Republicanos) bem como da maioria dos componentes da mesa diretora da Casa. Isto se deu logo após a aprovação da PEC 28, que permitiu a manobra.

Entre reclamações e dúvidas quanto à legalidade da medida por parte de alguns deputados, o governador Renato Casagrande (PSB) promoveu mudança na liderança do Governo na Assembleia. Saiu Enivaldo dos Anjos (PSD) e assumiu o posto o deputado Freitas (PSB).

Considerado homem de confiança do governador Renato Casagrande, José Eustáquio de Freitas está em seu quarto mandato como deputado estadual. Ele assumiu uma vaga na atual Legislatura com a saída de Bruno Lamas (PSB). Lamas, também ligado ao governador, aceitou convite para a Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social – Setades.

Freitas, que é considerado mais próximo de Casagrande e, cuja atuação durante a sessão que aprovou a antecipação foi considerada decisiva para os interesses do governador, conversou com a reportagem do Portal SBN.

A atuação pessoal de Freitas no dia da sessão em que Erick Musso antecipou sua reeleição, foi vista como decisiva para os interesses do governador. A sessão desta segunda-feira, 2 de dezembro é o primeiro teste de Freitas mais uma vez como líder do Governo no Legislativo.

Como entender a aprovação da PEC 28, que permitiu a antecipação da eleição da Mesa Diretora na Assembleia? Além disso, como explicar a sua participação na Mesa como 2º secretário e, posteriormente sendo escolhido como líder do Governo?

Aqui na Assembleia é preciso estar atento a tudo que acontece. A eleição extemporânea da Mesa Diretora na quarta-feira, no último dia de sessão da semana na Casa, surpreendeu a todos os deputados, mesmo alguns que tiveram a oportunidade de conversar com o presidente no dia anterior. Talvez não estivessem convictos que o presidente iria sugerir essa pauta antes da sessão começar na quarta. Quando o deputado Marcelo Santos (PDT), que estava como presidente na ocasião, abriu a sessão para o registro de chapas, muitos deputados ainda não estavam no Plenário. Havia poucos deputados e mesmo assim, o presidente abriu a contagem de tempo para inscrição de chapas.

O governo foi pego de surpresa?

O presidente em exercício abriu a sessão e deu 5 minutos para protocolo de chapas para eleição da Mesa Diretora de 2021, um ano e três meses de antecipação! Foi uma surpresa! Diante de um cenário desses foi preciso fazer alguma coisa. Foi preciso ação e colocar em prática alguma medida. E muito rapidamente eu percebi que a liderança do Governo não tinha nenhum encaminhamento. Como não havia nenhum encaminhamento, a gente tem que imaginar que, ou o Governo também está sendo pego de surpresa ou que o Governo compartilha!

A sua boa relação com o governador Casagrande contou para essa ação?

Eu imaginei que precisava ter uma composição mais governista possível. Eu sou governista. Acredito muito no Governo Renato Casagrande! Para mim, o Governo precisa ter três qualidades essenciais, qualquer militante de vida pública eletiva precisa de três qualidades imprescindíveis: trabalhador; competente e bem intencionado. E o governador Casagrande é! Faz um segundo governo extraordinário! Portanto, eu percebi que precisava fazer um movimento no sentido de que a composição da Mesa Diretora tivesse harmonia com o Governo. Precisava ter uma composição mais governista! O Erick Musso (Republicanos) é presidente e antecipou a eleição para continuar presidente. Então eu sugeri o meu nome e do Coronel Quintino (PSL) para fazer parte da Mesa. Então entrei no debate – que foi muito rápido por que eram cinco minutos! O próprio Erick me pressionou e eu condicionei a minha entrada com a entrada do Quintino. Aceitaram o meu nome e o Quintino, não. Eu aceitei por que, na pior das hipóteses, tem um governista. Se é correto, pra mim passou a ser secundário, pode-se discutir depois, porém precisava ter alguém do Governo naquela Mesa que estava sendo composta.

O senhor passou a ser líder do Governo. Contou para isso a sua experiência mostrada na interpretação daquele momento?

Para mim, a partir do momento que tem uma decisão do Governo em mudar a liderança e me convidar para ser líder e eu aceitar, passo a olhar o que aconteceu como parte do passado. Já não cabe mais a minha participação. Creio que cabe a participação da Justiça, da sociedade civil em questionar. Acredito que fui importante em questionar sendo pego de surpresa e na posição de governista naquele Plenário. E vejo que a minha participação será mais importante a partir de agora enquanto líder do Governo.

Valendo-se do seu conhecimento, práticas como essa para se perpetuar no poder encontram paralelo com o passado recente do Estado?

Não posso buscar a retórica do passado. Vou condenar aquele passado e, hoje, o Espírito Santo vive novos momentos. E do meu ponto de vista não podemos retroceder um único passo nesse sentido. Eu sou parceiro e agora líder do Governo para ajudar a construir novos momentos que oportunizam melhores dias para o povo capixaba, em cada canto que o capixaba vive.

O senhor pensa ser possível uma boa convivência do Legislativo com o Governo do Estado a partir dessa inusitada eleição da Mesa Diretora?

Essa é a nova proposta. Essa é a base da liderança que inicia agora. Fazer com que o Governo tenha uma base consolidada na Assembleia Legislativa e essa é a minha busca. Uma base consolidada e que a liderança seja valorizada na interlocução dessa base com o Governo. É importante dizer que eu me sinto completamente honrado em ter a confiança de um Governo altamente exitoso, de resultado, um Governo trabalhador, competente, bem intencionado e confiando em mim a responsabilidade de representar e liderar a base governista aqui na Assembleia. Vou fazer isso olhando pro horizonte buscando a parceria dos meus colegas deputadas e deputados, buscando uma relação fina e equilibrada, valorizando o Plenário com o objetivo de entregar um Estado cada vez melhor para os capixabas.

Quais são os desafios que o senhor imagina que terá agora na condição de líder do Governo a partir da consolidação dessa nova Mesa Diretora, da forma que se deu a eleição?

Acredito que o principal desafio é promover convergências, equilíbrio nas relações, promover o diálogo. E mostrar para os colegas deputados que nós todos queremos o melhor para o Estado. Eu me recuso a creditar que algum deputado não queira o bem do Espírito Santo! Eu quero fazer com que eles observem que essa é a meta do Governo Renato Casagrande. Melhorar cada dia mais o Espírito Santo, fazer uma gestão fiscal austera e eficiente, mas, com um tempero forte de uma política social inclusiva, valorizando todos os setores de todas as regiões do Espírito Santo.

COM TEXTO / ANDRE AQUINO – MTb 01243/02 / PORTAL SBN 

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