Volkswagen ‘reconfirma’ investimento e promete novas vagas de emprego

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A Volkswagen anunciou nesta quinta (29) produção do primeiro carro 100% desenvolvido no Brasil e “reconfirmou” investimentos de R$ 2,4 bilhões em suas fábricas de São Bernardo do Campo e São Carlos, em São Paulo.

Na manhã desta quinta (29), Doria disse esperar investimento de ao menos R$ 1 bilhão, com a criação de pelo menos 2.000 empregos, entre diretos e indiretos. O montante faz parte de R$ 7 bilhões previstos em 2016, para o quinquênio.

Presente ao anúncio, o governador paulista João Doria (PSDB-SP), que pela manhã havia previsto “novos investimentos” de mais de R$ 1 bilhão, disse que a confirmação desse valor nas unidades paulistas só foi possível após “intensas negociações” entre empresa e governo.

Doria também havia previsto a criação de 2.000 novos postos de trabalho diretos e indiretos, mas os executivos da Volkswagen não anunciaram novas vagas no pronunciamento nem na entrevista coletiva. O desenvolvimento do novo veículo, segundo a empresa, já envolveu a contratação de 100 profissionais qualificados.

Questionado pela reportagem, após o anúncio, sobre a existência de novas vagas, o CEO da montadora na a América Latina, Pablo di Si, afirmou que a Volks se comprometeu a abrir mais 300 vagas até o final de 2020.

A meta qualificaria a empresa a receber incentivos fiscais do programa IncentivAuto, que dá descontos progressivos de ICMS a montadoras que abrirem 400 novos empregos e realizarem novos investimentos de ao menos R$ 1 bilhão.

A maior parte dos recursos reconfirmados pela Volks irá para a unidade de São Bernardo do Campo, que deve produzir o novo carro. “Com todas as dificuldades que temos, reafirmarmos e confirmarmos o investimento não é pouca coisa”, afirmou Pablo di Si.

O chefe de operações global da Volkswagen, Ralf Brandstatter, falou em parceria de longo prazo com o país e disse que pretende investir “durante vários ciclos de produção no futuro”.

O modelo anunciado será o primeiro desenvolvido no Brasil pela empresa a ser fabricado também na Europa.
Segundo o secretário estadual de Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles, mais do que abrir novos postos de trabalho, o anúncio é relevante porque marca uma “nova fase” para a indústria brasileira: “São Paulo se consolida como um centro formal de desenvolvimento tecnológico, com pesquisas e desenho de novos produtos”.

O desenvolvimento do veículo no país, disse ele, significa elevar o patamar de qualificação e salário dos empregos. Outro fator relevante, segundo ele, é a formação de confiança. “O investimento depende de reformas, que começaram a ser feitas no governo anterior” (do qual Meirelles foi Ministro da Fazenda).

O IncentivAuto foi lançado pelo governo em março, como reação à ameaça da GM de encerrar suas operações em São José dos Campos e em São Caetano e transferir a produção para outro país.

Desde então, é a terceira vez que Doria participa de comunicados da indústria. A própria GM prometeu R$ 10 bilhões até 2024 nas fábricas de São José dos Campos (interior de São Paulo) e de São Caetano do Sul (Grande SP), em novos produtos e tecnologia.

Em maio, a A Scania anunciou R$ 1,4 bilhão na modernização da fábrica de caminhões de São Bernardo do Campo (SP) para o período de 2021 a 2024 e na atualização de tecnologias e projetos relacionados a combustíveis alternativos. No próximo mês, Doria deve ir ao Japão, anunciar planos também do setor automotivo.

O governo também estuda uma forma de usar o IncentivAuto em outra crise do setor, o fechamento neste ano da unidade de São Bernardo do Campo da Ford, que fabrica o Fiesta e, majoritariamente, caminhões.

A decisão foi tomada em fevereiro pela companhia americana, que pretende deixar de produzir os veículos de carga. A unidade 3.000 trabalhadores diretos e 1.500 terceirizados. A solução negociada por Doria passa pela venda da unidade a outra empresa automobilística, mas a operação tem esbarrado na indefinição sobre incentivos tributários nesse caso.

Doria preferiu não falar da Ford durante o evento na montadora concorrente. Representantes da Caoa, que pertence ao empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, estiveram em abril na Secretaria de Fazenda e Planejamen to paulista, pedindo descontos tributários em troca de preservar os empregos.

Com Informações: Tribuna On Line

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