Família de Bibi Ferreira coloca à venda acervo de 18 mil itens da atriz

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Foto: Divulgação / Facebook

Bibi Ferreira gostava de vestidos, sempre o mesmo modelo decotado e com os braços à mostra. “A cada espetáculo, a gente fazia três ou quatro, mesmo sabendo que ela usaria um só”, lembra o empresário Nilson Raman, que trabalhou por mais de duas décadas com a cantora, atriz e diretora, morta há duas semanas, aos 96 anos. Também era fã de bijuterias, segundo conta a filha, Thereza Christina Ferreira. “Minha mãe tinha uma cômoda com três gavetas repletas delas.”

Parte desse vestuário da artista, um dos maiores nomes dos palcos brasileiros, compõe um volume de 18 mil itens do acervo de Bibi. O material começou a ser organizado há cerca de um ano por Thereza Christina com a ajuda de uma equipe de sete pessoas, que trabalharam por pouco mais de quatro meses no material.

O trabalho teve início depois de um empresário português, fã da artista, demonstrar interesse em adquirir o acervo. “E Bibi concordou”, afirma Raman, lembrando-se do que disse a artista: “Meu filho, se ele vai cuidar da minha memória e quer comprar, eu não me oponho”.

Mas o empresário acabou recuando, e agora a família busca instituições que se interessem na compra e na manutenção do acervo, o que requer a digitalização de imagens e de materiais audiovisuais.

Além dos vestuários, há um pouco de tudo: cerca de 4.000 fotos, outros 400 vídeos em VHS, 300 prêmios (troféus, medalhas, placas), programas de todos os seus espetáculos, boletins de escola, instrumentos que ela usava na juventude para dar aulas, cadernos de anotações e recortes de jornal -a mãe de Bibi, a atriz espanhola Aída Izquierdo, reunia em álbum o que saía sobre a filha na imprensa.

Dos figurinos, há desde o casaco de pele usado em “Piaf” (1983) à touca de organza e renda da personagem Mirandolina, protagonista da peça “La Locandiera”, com a qual Bibi estreou profissionalmente nos palcos, em 1941.

“Mamãe guardava muita coisa”, diz Thereza Christina, que hoje armazena todo o material num quarto de seu apartamento no Flamengo, zona sul do Rio. Para ela, “é muito importante que esse material seja mantido, tem muito da história do teatro brasileiro. Mas a maior urgência é com as fitas, que têm que ser digitalizadas para que não se perca o material”.

Segundo Thereza Christina, procurou-se quase uma dezena de instituições para vender o acervo, mas ainda não houve avanços nas negociações do material –ela não revela os valores.

DA REDAÇÃO DO JORNAL A ILHA | COM INFORMAÇÕES TRIBUNA ONLINE

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