Reforço de rede e gratuidade marcam atuação de operadoras em Brumadinho

Empresas liberaram ligações e SMS de graça nos momentos seguintes ao rompimento da barragem. Mineradora Vale conta com 4G privativo.

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Foto: Divulgação

A situação em Brumadinho (MG) poderia ser ainda pior se não fosse a atuação das operadoras de telefonia celular. Após o rompimento da barragem, na última sexta-feira (25), foi montado um gabinete de crise para alocar recursos tecnológicos que permitissem uma rápida resposta de socorro às vítimas. Neste quesito, as teles tiveram papel fundamental. O TechTudo apurou que a crise na cidade mineira levou a uma situação inédita no Brasil: as empresas telefônicas retiraram as travas e abriram suas redes para uso de qualquer um.

Num setor com forte concorrência, normalmente as operadoras restringem suas antenas para que conversem somente com os próprios clientes. Em Brumadinho, porém, o procedimento é diferente desde a semana passada: qualquer celular nas proximidades da tragédia pode se conectar a qualquer antena que esteja por perto, seja ela da Claro, Oi, TIM ou Vivo.

Satélite registra mar de lama em Brumadinho (MG); imagem foi gerada em 29.01.2019 — Foto: Reprodução / DigitalGlobe e Google

A decisão foi tomada logo nos primeiros momentos em que se teve notícia do rompimento da barragem. Como cada operadora oferece uma rede distinta, com os respectivos pontos altos e baixos, a medida possibilitou que indivíduos em regiões sem cobertura entrassem em contato com amigos, familiares e forças de segurança.

Aliás, houve um período de gratuidade. Possíveis vítimas em busca de amparo, porém sem crédito no celular, puderam fazer ligações ou mandar SMS. Hoje em dia, porém, a iniciativa não vigora mais.

Também houve reforço na rede de telecomunicações entre a cidade de Brumadinho e a capital Belo Horizonte. Geradores foram levados à região da tragédia para alimentar as antenas de telefonia, uma vez que a instabilidade de energia elétrica é o principal motivo para uma operadora sair do ar.

Localização das vítimas

As maiores operadoras e outros agentes do mercado também se uniram numa força-tarefa para rastrear os celulares na área do desastre. Faz parte do fluxo normal de um smartphone ou tablet ter a sua posição geográfica registrada pela empresa telefônica ao fazer a comunicação com a antena mais próxima.

A partir daí, inicialmente foi traçado um raio de 20 quilômetros para detectar os aparelhos em uso. O governo reduziu o raio para 10 quilômetros e, por fim, a Defesa Civil desenhou uma área de interesse mais precisa. O relatório final entregue ao poder público mostra o posicionamento de todos os telefones em uso no fatídico dia.

Área em amarelo demarca zona de interesse para rastreamento de celulares — Foto: Reprodução / Defesa Civil

O Gabinete de Segurança Institucional recebe diariamente, ao meio-dia, um relatório com o status da região. Apesar da esperança de encontrar pessoas com vida diminua a cada hora, o setor de telecom sustenta que é importante manter tudo funcionando para que os socorristas se comuniquem entre si com eficiência. São bombeiros, médicos, psicológicos, jornalistas e lideranças políticas.

4G exclusivo para Vale

Pouca gente sabe, mas a Vale conta com uma rede de telefonia própria – posta em funcionamento às pressas, em resposta ao acidente. Funcionários da mineradora e resgatistas contam com uma espécie de 4G privativo que funciona como uma espécie de rádio – chamado Push to Talk, tal qual era na Nextel – com conversas instantâneas e em alta qualidade. A tecnologia também possibilita chamadas em vídeo – como as do Skype – sem atrasos e interrupções.

Drones também podem operar na rede. Há informações de que o Exército de Israel trouxe equipamentos capazes de registrar imagens em alta definição para auxiliar na busca por corpos e outros elementos em meio à densa lama.

DA REDAÇÃO DO JORNAL A ILHA | COM INFORMAÇÕES TECHTUDO

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