Casagrande critica Hartung e apresenta projeto de anistia a policiais militares

Para Casagrande, Hartung “continuou pisando no calo dos policias". Há cerca de 2,6 mil PMs processados

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Em coletiva com a imprensa na manhã desta terça-feira (15), o governador Renato Casagrande (PSB) apresentou o projeto de lei que visa a anistiar os policiais e bombeiros militares que respondem por processos administrativos relacionados com a participação na paralisação da tropa ocorrida entre os dias 3 e 25 de fevereiro de 2017, que originaram uma crise na segurança pública capixaba sem precedentes.

Segundo o secretário de estado de Segurança Pública, Roberto Sá, foram 2622 procedimentos administrativos instaurados, sendo que 23 policiais foram excluídos da corporação. Afirmou também que desde lá houve 57 tentativas de suicídio, sendo oito delas consumadas, além de cerca de 500 policiais afastados por questões de saúde. Compromisso de campanha do governador, a proposta será encaminhada ainda nesta terça (15) para a Assembleia Legislativa (Ales), que deve apreciar e votar o projeto em sessões extraordinária convocadas para hoje (15) e quarta-feira (16), às 15h.

Se aprovado pela Ales e sancionado pelo governador, os militares terão até 30 dias para solicitar adesão ao projeto, que concederia anistia assim que processado. Os militares afastados de suas funções que sejam contemplados pela anistia receberão seus salários retroativos referente ao período, que equivaleriam a cerca de R$ 800 mil segundo comunicou o governador. Apenas transgressões disciplinares, que respondem por processos administrativos, seriam contempladas pela anistia. Militares que respondam por delito criminal à Justiça Militar só poderão ser anistiados por meio de projeto que tramite no Congresso Nacional.

O governador falou em “fechar feridas” na área da segurança pública, no qual considerou que houve equívocos tanto por parte dos policiais como da condução do governo, então sob comando de Paulo Hartung (sem partido).  “O governo errou tanto na condução do processo por não ter se antecipado ao fato como por não ter tido a capacidade de abrir o diálogo e construir as pontes para que não houvesse tanto tempo de manifestação. Foram mais de 20 dias de manifestação que causaram grande prejuízo à sociedade capixaba”.

Casagrande criticou que Hartung “continuou pisando no calo dos policiais” mesmo após o fim da crise, mantendo ambiente muito ruim na tropa. “Ele usou todos instrumentos para manter a corda esticada e não para criar um ambiente de harmonia”. Outro fator apontado pelo governador para o projeto de lei é desafogar a Corregedoria da Polícia Militar, sobrecarregada com um volume tão grande de processos.

Durante a coletiva, José Darcy Santos Arruda, Delegado Geral da Polícia Civil do Espírito Santo, apresentou dados sobre os crimes ocorridos durante o período em que a Polícia Militar se manteve em paralisação. Foram 224 ocorrência registradas da quais 141 (62,95%) foram investigados e concluídos com definição de autoria. Sobre os outros 83 ainda estão por ser elucidados, o governador anunciou que dois delegados vão se dedicar exclusivamente a estes casos, buscando solucionar até o final do ano os que ainda não foram concluídos. O delegado afirmou que não foi constatada a participação de policiais militares em nenhum dos crimes elucidados.

JORNAL A ILHA COM INFORMAÇÃO / SECULO DIARIO
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